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Sério, cadê?
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Sério, cadê? .


DOSTOIÉVSKI, moscovita condenado à morte por sua ligação com movimentos contrários ao regime czarista, teve sua pena transformada e foi deportado à Sibéria, onde ficou preso por quase cinco anos. Em Notas do Subterrâneo, de 1864, o personagem escreve num diário as mesquinharias de sua história recente.

Agora olhe pra cá e diga xis
Me chamo PEDRO. Nasci em março de 81 no bairro carioca de Santa Teresa. Moro em Fortaleza há alguns anos, mas ainda saio daqui. Desde seis de agosto de 2006 moro em Salvador. Meus pais se chamam Eveline, publicitária e ruiva, e Elcio, fotógrafo e nômade. Não sou Flamen e nem tenho uma nê chamá Terê. Perfil completo.


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Faça o que eu faço.
Ouça o que eu ouço
18 de fevereiro de 2003
Muito já se falou sobre o futuro do mindinho, tratado assim no diminutivo mais por desprezo que por carinho. Está fadado ao esquecimento, ao desmembramento até. Será artigo raro, contrabandeado de sítios arqueológicos na Zâmbia direto para os living rooms da quinta avenida.

7 de fevereiro de 2003
E me surge essa figura de conversa amena, despretensões e coisinhas. O assunto não aparece e nos despedimos. Fique com Deus, ela diz. Ela protestante, eu agnóstico. Entramos num bate-boca que, claro, foi a cabo sem nenhum vestígio de entendimento.

4 de fevereiro de 2003
Na geladeira faltavam ovos, mas de bife tinha a conta. Sacou a frigideira bum, cortou a cebola bum, picou pimentão bum, jogou sal no bife bum, dispensou óleo bum. E questionava-se sobre qual o homem mais respeitável: se Luís Gonzaga ou Roy J. Plunkett, o criador do teflon.

29 de janeiro de 2003
- Quer dizer que tu matou, foi?
- Foi.
- E por que é que tu fez isso, macho?
- Ele não ia com a minha cara.
- O que mais que tu tem pra dizer?
- Queria mandar um abraço pro Monstrim, que tá me assistindo. Monstrim!


27 de janeiro de 2003
Sou recém-chegado nesse negócio de comer Brigitte, admito. Há os veteranos, como meu pai, que sabem de cor a filmografia, a discografia e a biografia. Eu só sei da taquicardia, que nem é de Brigitte, é minha. Sei do verão de 64, de sua ida ao Rio e a Búzios, da Brigitte de bronze que ficou lá como prova irrefutável de sua passagem.

21 de janeiro de 2003
Tio Saulo dirigia a kombi dos Mutantes e namorava as moças mais lindas de que se tinha notícia naquelas freguesias. Apareceu em casa com uma aeromoça da Vasp como quem traz novidade para a família ver. Foi barrado aqui e acolá por causa do cabelo grande. Assim devem nascer os mitos: cabelo grande e censura.

21 de janeiro de 2003
Ouvi com paciência de Jó uma irmã, lá com seus 70 anos, comentando que a vida iria melhorar, enquanto manejava com certa dificuldade o ofício cristão de falar e manter os dentes dentro da boca ao mesmo tempo. A vida iria melhorar por que tinha fé em Deus, em Santo Expedito, além de um e outro do segundo escalão da hierarquia divina.

17 de janeiro de 2003
Tornei o sofá um confortável divã, e ali me estirei para o aprendizado. Repousei a alma sobre o bonito móvel de madeira talhada e ela ficou lá, estátua, sendo dissecada por suposições. Sentimentos contradizentes me apunhalavam agora e era bom sendo ruim. Cozinhei um bife para saciar a falta de apetite.

14 de janeiro de 2003
Vou comprar umas roupas, fazer uns contatos e quarta ou quinta-feira devo estar virando bicha. Até já escolhi o meu tipo: serei a bicha atormentada. Ficarei me perguntando se é isso mesmo que quero ser, se ainda não haverá uma artéria hetero nesse coração gls.

9 de janeiro de 2003
Vou fazendo um travelling pelo ponto de ônibus onde as mulheres cochicham em tom assombrado, pego um extreme close-up da moçoila que apressa o passo e me desaprova pelo canto dos olhos e saio em disparada, action cam, antes que o segurança do banco me dê um fade out direto no queixo.

6 de janeiro de 2003
Aqui as coisas estão bem. As coisas estão acontecendo e fazendo testemunhas. Estão sendo enviadas e matando saudades. Estão caindo na sopa. As coisas estão meio desarrumadas, desculpe a bagunça. Apesar de ninguém ter perguntado, as coisas estão bem, obrigado.

1o. de janeiro de 2003
Foram filho, mãe e avós assistir a O Filho da Noiva. Seu Osvaldo e dona Cecília passaram as duas horas com as mãos entrelaçadas e os fura-bolos se beliscando. É um filme bonito, bobo, leva às lágrimas o mais sisudo dos homens, mas para tudo há um limite. "Poupe-me, Osvaldo. Soluços, não."

23 de dezembro de 2002
Não tem mistério: xampu se compra pela descrição. Quanto mais longa e técnica a descrição, melhor o produto. Ela gosta quando empresto meu ar confiante às respostas. Bota o saponáceo no carrinho e vai, sabendo que respondi com a autoridade de quem entende de xampu.

21 de dezembro de 2002
D. Ma. sempre se orgulhou dos dotes do esposo, S. Fco., menino pobre saído dos quintos do NE para a pompa do DF de JK. Prosperou. Pelas mãos crioulas de S. Fco. passam hoje todos os pedidos de criação de siglas e abreviaturas do país, sejam do com., sejam pop., poét. ou polít. Burocrata?

19 de dezembro de 2002
Para o café com leite: coloque na xícara uma colher de sopa de leite em pó, adicione um dedo d'água e mexa. Coloque outra colher, adicione outro dedo e mexa outra vez. Vá adicionando a água e mexendo mais um pouco até encher. Não importa se hoje em dia o leite é instantâneo - para Seu Osvaldo, o importante é manter a tradição.

17 de dezembro de 2002
O sobrado já tinha para lá dos seus anos. Não se podia ver nada três palmos à frente, embora o som chegasse radiográfico. O sopro contornava as janelas e ia tomando a forma de vozes agudas, macias, inevitavelmente femininas. Pareciam ser jovens e segredavam entre risos: "Como é charmoso, até compensa a falta de bunda".

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31.8.05, 14:27


Suramérica en mis mejillas


PEDRO HENRIQUE DE ABREU | LINK |



14.8.05, 23:34
(Des) Memória?



Milani foi cremado, mas era uma questão de tempo: jornalistas logo o reduziriam a pó.


PEDRO HENRIQUE DE ABREU | LINK |



11.8.05, 16:29
O rei está nu. Ou não
De como a roupa do rei é roída por ratos que não queriam roê-la

Que São Paulo sempre foi o grande vilão da política nacional, disso não há dúvida. Há os coroneizinhos da Bahia, os reizinhos da soja do Mato Grosso e os argentinozinhos do Rio Grande do Sul - mas estou falando de vilões, não de vilinhos.

De Campos Salles a Fernando Henrique, toda e qualquer política com os olhos para o sul e as costas para o norte encontra colo no fiel empresariado paulista. Foi assim com o regime militar e foi assim com a política do café-com-leite, quando paulistas (produtores de café) e mineiros (de leite) revezavam-se alegremente no poder, num esquema camarada que funcionava mais ou menos assim:


Caso o mineirinho come-quieto Aécio Neves não engate uma candidatura e em seu lugar concorra o lambido Geraldo Alckmin, podemos ver de volta a política de FHC - a do café-sem-leite. Cheira muito bem, mas fica só o amarguinho no fim.


Do argentino Clarín, em 4 de agosto:
"No Brasil se joga uma partida desconcertante. Um presidente é rejeitado pelas elites paulistas, que querem ver um dos seus no governo." Eleonora Gosman
Do americano Herald Tribune, hoje:
"Pode sim haver uma conspiração em andamento implicando oposição e poderosos interesses industriais de São Paulo, mas para manter Lula no poder, e não para derrubá-lo." Larry Rohter
Às vezes chego a pensar se Rohter vive mesmo no Brasil. Se vive, deveria parar com a caipirinha.


PEDRO HENRIQUE DE ABREU | LINK |



3.8.05, 10:34
Grandes enigmas da humanidade
Ou as leituras possíveis para "tinha uma pedra no meio do caminho"

Quando Jefferson diz certas coisas a Dirceu, o que será que ele realmente quer dizer?


PEDRO HENRIQUE DE ABREU | LINK |



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